Autora: Viviane Souza
Em um hospital de grande porte, um grupo de funcionários de determinada religião, começou se reunir antes da entrada, na hora do almoço ou no final do expediente no estacionamento da empresa para praticar atividades ligadas a sua religião.
Em poucos dias a “rádio corredor” já havia espalhado a novidade e os demais funcionários, pacientes e o staff médico do hospital opinavam, ora a favor ora contra, aos encontros religiosos nas instalações da empresa.
O acontecimento modificou o clima organizacional. Hostilidade, escárnio e intolerância tornaram-se comuns no dia-a-dia da instituição.
Isso porque a maioria dos funcionários de outras religiões ou aqueles que não participavam de nenhuma, eram contra as reuniões de seus colegas pelos motivos mais variados.
Os debates religiosos já afetavam as atividades laborativas. A diferença de opiniões e religiões estimulou certas “implicâncias” entre os colaboradores. Prazos e metas não cumpridos, insatisfações profissionais e pessoais, dificuldades nos relacionamentos interpessoais, conflitos entre lideranças e subordinados, etc.
O Recursos Humanos do hospital analisou a situação e com o parecer do Administrador tomou as seguintes providências:
Primeiramente, chamou três representantes do grupo religioso em questão para uma reunião. As profissionais de RH transmitiram ao grupo as decisões do departamento e Diretorias às atividades religiosas nas dependências do hospital:
• Proibir as atividades de cunho religioso no estacionamento do hospital, por ser um local de tráfego constante de veículos o que colocaria em risco a vida dos próprios funcionários;
• Proibir as atividades de cunho religioso nas demais dependências do hospital porque autorizando para esses colaboradores teriam que liberar para os demais, por uma questão ética e de justiça;
• Pela repercussão negativa quanto às rotinas administrativas, operacionais e de relacionamento interpessoal que o fato promoveu na empresa;
Logo após a reunião as profissionais de RH expediram uma circular e divulgaram através de diversas ferramentas de comunicação interna que a organização dispunha, o seguinte comunicado:
“Devido aos últimos acontecimentos, o departamento de RH e as Diretorias desta empresa comunicam que a partir desta data, é proibido realizar reuniões de cunho religioso em suas dependências por motivos de justiça e igualdade.
A Presidência e lideranças ressalvam que respeitam TODAS as religiões e não apóiam qualquer atitude preconceituosa e intolerante
Deptº de Recursos Humanos”.
Nos dias subseqüentes, o RH desenvolveu um projeto sobre diversidade onde através de cartazes, notícias de jornais e revistas, textos, etc. expostos em locais de grande circulação entre os colaboradores e pacientes do hospital para difundir conceitos de tolerância religiosa, racial, de gêneros, etc.
Durante uma semana e em diversos horários, para que todos os colaboradores tivessem a oportunidade de participar, o RH palestrou sobre o tema Diversidade Religiosa.
A palestra foi assistida por 94% dos colaboradores. Uma pesquisa foi realizada e apurou-se um elevado grau de satisfação e apoio ao evento.
Após a implantação do Projeto sobre Diversidade, o RH e lideranças notaram melhorias nas relações interpessoais com aumento do respeito entre as pessoas, tolerância, justiça, solidariedade, amizade, etc.
O episódio alertou o departamento de RH para a importância de se estar atento ao cotidiano da organização para que os conflitos sejam logo administrados e resolvidos.

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