terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Eu também apóio. Campanha Papai Noel dos Correios 2009.

Recebido por e-mail.

Lançada a Campanha Papai Noel dos Correios 2009

“Você não precisa acreditar em Papai noel, mais pode ser um”

O que é:

O Projeto Papai Noel dos Correios é uma ação corporativa, desenvolvida em todas as 28 diretorias regionais, que tem como foco principal o envio de carta-resposta às crianças que escrevem ao “Papai Noel”. O objetivo central é manter a magia do Natal.

A quem se destina?

O destinatário do projeto é a criança que envia pelos Correios uma cartinha ao Papai Noel. As cartas que partem das comunidades carentes em todo o País são separadas e colocadas à disposição da sociedade para quem quiser adotá-las. Ou seja, nem todas as crianças carentes serão necessariamente atendidas.

Como é feita a triagem?

Inicialmente são descartadas as correspondências que não contêm remetentes ou as com endereços repetidos. Portanto, não adianta mandar mais de uma carta, pois não se trata de sorteio. Assim, é importante o correto preenchimento do nome e endereço do destinatário, com CEP. Cartas de adultos não são atendidas, bem como pedidos de medicamentos, celular, MP3, DVD, notebooks e afins. Os critérios de atendimento de pedidos são razoabilidade e possibilidade.

Cada Regional tem um método de trabalho para classificação e seleção das cartas destinadas para adoção, considerando diversos fatores, tais como: tamanho da área abrangida, número de correspondências, número de adoções, número de voluntários envolvidos, etc.

Em 1997, a iniciativa transformou-se em projeto corporativo, passando a ser desenvolvida em todas as 28 Diretorias Regionais da empresa.

Números:

Desde a criação do projeto o número de correspondências vem aumentando. Abaixo, os dados dos últimos quatro anos:
Ano Cartas recebidas Cartas respondidas Cartas adotadas
2005====395.183==========145.474=======130.655
2006====501.605==========177.549=======226.934
2007====792.760==========231.552=======357.971
2008====1078.711=========365.446=======464.481

Quem pode colaborar?

Todas as pessoas da sociedade podem colaborar, tanto como voluntários para auxiliar na leitura e triagem das cartas, como para adotar um pedido. Para isso, basta entrar em contato com os Correios de sua região .

Os interessados em adotar uma cartinha podem procurar, de 09 de novembro a 18 de dezembro, em uma unidade dos Correios mais próxima de sua casa.

Mobilize sua empresa a participar da campanha!

Maiores informações:
http://www.planetavoluntarios.com.br/nossas-acoes

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Inclusão cultural: vale-cultura.

Fonte: Jornal O Globo de 03/12/2009, seção O País.

A comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovaram a criação do vale-cultura que deverá ser votado pelo plenário.

Caso aprovado, o vale-cultura, , prevê o valor de R$ 50,00 mensais ao trabalhador que poderá usá-lo para ir ao cinema, teatro, exposições, museus, shows, compra de revistas e jornais, etc.

O vale-cultura será destinado aos trabalhadores de empresas privadas e do serviço público que ganhem até cinco salários-mínimos por mês. Poderá ser estendido aos demais empregados desde que a totalidade do principal público-alvo seja atendido.

O desconto para o trabalhador poderá ser de até 10% do valor do vale e as empresas poderão deduzir o valor que investirem no vale-cultura do imposto de renda.

Mais informações: http://www.valecultura.com/

Como você utilizaria o vale-cultura?

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

O RH e a "era da Inclusão"

Por Carlos Hilsdorf
Autor e consultor de empresas.

Fonte: http://www.rhportal.com.br/artigos/wmview.php?idc_cad=rn9b7h34q

Desde o início da minha atividade como conferencista venho defendendo e apresentando, em congressos, artigos, entrevistas e eventos de todas as áreas e segmentos da economia, a necessidade do reconhecimento da contribuição do RH na evolução das relações humanas e na maturidade empresarial.

A contribuição dos profissionais de RH é imensamente superior à que lhes é atribuída. Pensemos em termos de educação no Brasil:

Vivemos em um país onde 59% dos docentes não lêem ao menos um livro por mês e 69% raramente vão a uma biblioteca. Curioso possuirmos um mercado livreiro em franca ascensão em um país onde o nível de leitura é baixo até mesmo entre docentes.

Olhemos agora para o universo corporativo. Onde se concentra o maior índice de leitura na sua empresa?

Exatamente, no RH!

Os profissionais de RH são, de longe, os que mais lêem nas empresas brasileiras. Conheço empresas onde os profissionais de RH lêem mais livros sobre gestão que os próprios gestores, a quem por definição cabe o expertise da atividade.

O RH preconizou as mais importantes revoluções culturais do universo empresarial das últimas quatro décadas, trazendo a tona profundas discussões e reflexões, somente depois incorporadas pela administração e pelo marketing.

Basta olhar para a questão da Qualidade. Quem foram os precursores na implantação da qualidade nas empresas? Profissionais do RH!

Se falamos em competências, aí está o RH no desenvolvimento das competências, se falamos em talento, aí está o RH na gestão dos talentos. Capital intelectual? RH sempre foi vanguarda do que há de relevante no universo conceitual, trazendo novos conhecimentos e validando os já absorvidos e ainda não efetivamente implantados.

Vivemos agora um momento onde sete palavras chave resumem o universo conceitual no mundo corporativo brasileiro. Duas delas são: inclusão e responsabilidade.

Vamos pensar em responsabilidade social. Quem é o precursor da implantação de políticas de valorização social nas empresas, começando no ambiente interno? Novamente o RH!

O Marketing e a Gestão, tão resistentes tempos atrás, agora resolveram adotar estas práticas, não em seu sentido original, mas sim em uma política nitidamente de Marketing Social camuflado na bandeira da Responsabilidade Social.

Esse fenômeno tem relação com um certo amadurecimento do nosso capitalismo tropical, o mesmo ocorre com a inclusão.

Você já notou o boom de crescimento do setor de cosméticos? Tinturas e linhas étnicas são o carro chefe deste boom. Nosso capitalismo mais maduro, na necessária abordagem a novos nichos e segmentos descobriu o óbvio. Existe uma incrível fatia de mercado, composta por indivíduos com características étnicas que pedem produtos diferenciados, apropriados às características e particularidades da sua etnia. Eureka!

Vivemos a era da inclusão. Um programa de uma das maiores redes de televisão do país, conta agora com uma apresentadora de traços orientais. As novelas abordam o homossexualismo. Crescem o número de atores negros nas novelas e estes, interpretam não somente papéis secundários, mas de destaque na trama e na sociedade retratada. Efeitos da era da inclusão.

Cai o modelo antigo da sociedade para a entrada de um modelo multicultural, multirracial, sexualmente não discriminatório e que na seqüência, esperamos, apresente uma nova exposição da figura feminina, longe dos estereótipos e da banalização da mulher-objeto.

Agora novamente: quem sempre esteve na vanguarda da bandeira da diversidade, da inclusão e respeito pelas diferenças? O RH!

As mudanças que as empresas não colocam em prática num primeiro período, com base em valores humanistas, são implantadas no momento seguinte por questões de mercado.

Tudo isto comprova, mais um a vez o que venho dizendo e repetindo:

Toda reunião cuja pauta seja tratar do presente e futuro da empresa e do negócio para a qual RH não tenha sido convidado, é míope!

Esta é também a era do RH, onde as conquistas e as contribuições do setor precisam e devem ser validadas, apresentadas e refletidas. Para isto faz-se necessário um novo RH, que contenha todas as virtudes que sempre o moveram, mas livre-se de alguns enganos, anacronismos e deslizes estratégicos.

Vamos juntos escrever a biografia do novo RH no Brasil. Conto com você!

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Campanha "Começar de novo" do CNJ

Com o slogan “Errar é humano. Ajudar quem errou é mais humano ainda” O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) promove a campanha “Começar de novo” que tem o objetivo de conscientizar a sociedade da importância da oportunidade de emprego aos presos e egressos do sistema penitenciário.

O empregador interessado em oferecer oportunidades poderá utilizar o programa Bolsa Emprego, cadastrando-as no portal eletrônico do CNJ.

Maiores informações: http://www.cnj.jus.br/

Qual a sua opinião sobre a reinserção dos presos e egressos do sistema penitenciário no mercado de trabalho? Você acha que esta iniciativa afeta diretamente sua vida e da sociedade?

domingo, 15 de novembro de 2009

Fórum Mundial de Educação Profissional e Tecnológica em Brasília

“O Fórum Mundial de Educação (FME) é um movimento pela cidadania e pelo direito universal à educação. Em novembro de 2009, o FME terá pela primeira vez uma versão dedicada à educação profissional e tecnológica. O Brasil será sede do evento, que acontece entre os dias 23 e 27 de novembro, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília, capital federal do Brasil.

Estudantes, professores, pesquisadores, trabalhadores, governos, sindicatos, associações e pessoas da sociedade civil organizada de todo o mundo integram o público do Fórum Mundial de Educação Profissional e Tecnológica (FMEPT). A expectativa é que 10 mil pessoas circulem pelo evento. A programação será dividida em três eixos temáticos. O primeiro trata de educação, trabalho e desenvolvimento sustentável; o segundo é sobre educação, culturas e integração e o terceiro discutirá educação, ética, inclusão e diversidade.

O principal objetivo da iniciativa é levantar propostas que integrem a plataforma mundial de educação. Criada no Fórum Mundial de Educação de 2007, a plataforma cita princípios como a universalização do direito à educação pública, a garantia do acesso e a desmercantilização do ensino.

Além disso, em 2009, comemoram-se os 100 anos de criação das primeiras escolas federais de educação profissional e tecnológica. Hoje essas escolas constituem uma rede com instituições em todo o País”.

Maiores informações: http://sitefmept.mec.gov.br/index.php

Siga o Fórum Mundial no Twitter: Perfil de conferencistas e debatedores, novidades do evento e informações úteis. O Twitter do Fórum Mundial é a fonte para o participante se preparar diante da diversidade de temas transversais que dialogam no conceito da Educação Profissional e Tecnológica.

Não espere a abertura do evento, as discussões já começaram. Acesse e siga http://twitter.com/fmept

Participem!

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Entrevista de Peter Senge sobre organizações que aprendem.

* Entrevista cedida à Janine Saponara da Lead Comunicação

Fonte: http://www.gestaoerh.com.br/open.php?pk=448&fk=57&subitem=45&item=45&id_ses=51

"As empresas não são máquinas, mas seres vivos". Com esse conceito, lançado mais de uma década atrás, o guru norte-americano Peter Senge revolucionou o universo corporativo, oferecendo nova perspectiva com seu learning organization, a "organização que aprende”.

Como a presença dos seres humanos pode contribuir com a evolução das organizações?

Peter Senge – O que as organizações precisam, em todos os seus níveis, sem exceção, é criar um clima favorável para que as pessoas possam “sentir” como todo o ambiente está mudando. Tecnicamente, posso dizer que, cada dia mais, os colaboradores estão mais preparados para isso, porque têm vivido experiências das mais diversas e também há oportunidade de vivenciar papéis diferentes nas próprias organizações. Engenheiros e profissionais técnicos, por exemplo, estão mais atentos hoje às mudanças tecnológicas, através da própria tecnologia pela qual estão conectados. As equipes de venda, as de serviço, estão mais próximas das demandas de seus clientes. Sendo assim, o que as organizações precisam é criar ambientes propícios para o “sentir”, no sentido de possibilitarem o exercício da observação, reflexão e proposição de ações em nome da organização. Isto gerará um processo natural de evolução tanto para as pessoas quanto para a organização. Uns devem observar os outros. Lembremos que o avião não foi criado observando-se o trem de ferro.

Se os colaboradores de uma organização são egoístas e egocêntricas, esses sentimentos refletem na empresa?

Peter Senge – Acho que é sempre perigoso estereotipar as pessoas. Sempre que eu ouço dizer “as pessoas são...” não importa o que venha depois da palavra “são” eu dou um passo atrás, pois isso é estereotipar as pessoas. Mas quando me dizem que numa determinada organização as pessoas agem de determinada maneira, eu digo que posso ver que sim ou que não, pois posso ver as pessoas agindo com egoísmo ou de uma forma magnífica em nome de todos; posso ver as equipes agindo de diversas maneiras. É um interessante tipo de processo de você pensar o que muda quando passamos a descrever o que fazemos ao invés de descrever como somos. Isso é um processo técnico de inferência. Não vemos o “Somos”, só somos capazes de ver o que fazemos. Eu nunca sou capaz de ver o que o outro é , apenas o que o outro faz, em termos dos meus sentidos normais.

Como o Sr. avalia afirmações como: “tal organização é fechada” ou “aquela companhia é...”?

Peter Senge – Isso é categorização. Especificamente em relação a organizações, o jeito que as pessoas agem tem muito a ver com o contexto, os sinais, o ambiente, as expectativas, que estão presentes na organização; há muitos sinais envolvidos no contexto, há as tradições, os símbolos, o clima organizacional. Por exemplo: a mesma pessoa que age com muita subserviência a seu chefe na empresa, durante o final de semana é um líder na sua família, é um líder no seu time de futebol. Se pensarmos em como este ser humano “é”, nos perguntaremos como pode haver esta diferença tão grande? As pessoas agem de acordo com o ambiente onde estão, com o contexto. Eu acho que as organizações criam ambientes onde as pessoas agem com egoísmo e de maneira destrutiva da mesma forma que as organizações podem criar ambientes que trazem o melhor das pessoas e eu vejo também muitas organizações que tem a capacidade de trazer das pessoas só que elas têm de pior.

Como podemos ser conscientes de quem somos e de qual é a nossa missão neste mundo?

Peter Senge – Existem excelentes exemplos de como as organizações podem criar ambientes que estimulem a reflexão nas pessoas que ali trabalham. Isso, em parte, já significaria dizer para todos que trabalham naquela organização que eles devem se questionar sempre “o que este trabalho realmente significa para mim?”, “por que estou aqui?”, “por que este trabalho é importante para mim?” ou “por que este trabalho não é importante para mim?”. Eu ainda afirmo que se as organizações têm esta prática, elas alertam as pessoas para a generosidade, porque, se você mantém as pessoas atentas ao que realmente importa a elas, eu te garanto que dinheiro, status, elogios à minha pessoa, são apenas uma pequena parte. Eles são parte, porque é claro que eles importam para nós, representam como somos vistos pelo outro, no sentido de sermos reconhecidos, termos nossos feitos, nossos trabalhos, ações reconhecidas, percebidas pelos outros. Estaríamos brincando se falássemos que não nos importamos. Deve existir algumas poucas pessoas para quem não importa, mas para a maioria de nós, importa, mas a coisa mais importante é como as organizações criam um ambiente propícia para aquela qualidade de reflexão. Isso é parte do trabalho dos gestores de pessoas. Isto pode existir num conceito prático do trabalho também, quando um colaborador pode concluir que “esta parte do trabalho eu não acho que seja eficaz”. Normalmente o colaborador pronuncia estas frases apenas como queixas, nunca como constatações de que aquelas etapas não devem mais existir no processo.

O Sr. acha que um colaborador que não esteja no topo da pirâmide pode questionar os processos da organização?

Peter Senge – Depende do tipo de organização. Se a empresa faz somente aquilo que o chefe ou o board ordena, não. Porém, se a organização é inovadora, o cenário muda. A empresa que quer ver florescer novas idéias e processos melhores precisa a todos, mas a todos mesmo. Primeiro porque as pessoas do topo não são suficientes; segundo porque têm experiência limitada e terceiro porque têm contato limitado com os clientes.

É por este motivo o Sr. costuma dizer que as organizações dominadas apenas por pessoas do topo da pirâmide, não tem perspectiva de vida?

Peter Senge – Exatamente pela razão que as pessoas do topo têm um contato muito limitado com a realidade de todas as áreas da empresa e são as mudanças dessas áreas que determinam se uma organização se desenvolve e sobrevive ou não. Acabamos de ver um exemplo fantástico de uma companhia indiana de petróleo com mais de cem mil postos de gasolina que se deu conta que tratava muito mal seus frentistas, com baixos salários e mínimos benefícios . Mas eles são as pessoas que representam a companhia cara a cara com o cliente. Os clientes de uma companhia de petróleo nunca vão a uma refinaria! Este é um exemplo de um dos vários setores nos quais os líderes correm o risco de sofrerem de um ponto de vista equivocado, se ficarem com o seu ponto de vista e não com o ponto de vista das pessoas a quem eles servem. Esta empresa indiana viu que estava tratando os frentistas como se eles não importassem para o business e dando-lhes a chance de tratarem os clientes como se eles também não importassem e, por sua vez, oferecendo a estes a chance de estacionarem no posto de gasolina vizinho: o da concorrência!

Como as organizações aprendem?

Peter Senge – A idéia da organização que aprende é uma visão. Ela incorpora um tipo de ideal ao qual muitos aspiram. As pessoas nas organizações aprendem quando percebem que os ensinamentos têm significado no contexto do trabalho ou de suas vidas. Um uso prático. Uma maneira simples de dizer isso é: todo aprendizado acontece quando os aprendizes aprendem o que faz sentido para eles. Tenho certeza de que as organizações que aprendem encontrarão formas de nutrir e concentrar as capacidades que temos dentro de todos nós e que hoje chamamos de “extraordinárias”.

E como deve ser a atuação dos gestores de pessoas neste contexto?

Peter Senge – Infelizmente, no dia a dia das organizações, os RHs às vezes se esquecem dessa lógica. O RH, como área de atuação, pode estar muito mais relacionado com o treinamento, com a organização de programas de treinamentos para equipes. Isto é muito parecido com salas de aula, onde a tendência é que impere a antiga lógica do professor: “eu sei o que estes alunos precisam aprender” ao invés de “o que eles querem aprender?”

Então essa questão é um desafio para os gestores de pessoas?

Peter Senge – Enorme. Como trabalhar nas organizações para realmente implementar o aprendizado é mesmo um desafio muito grande para os profissionais de recursos humanos. Mesmo os que defendem o conceito da organização que aprende, os que têm um alinhamento e valores e sistemas dentro de suas organizações encontram dificuldades para estimular a implementação do aprendizado. Isto é um processo.

E qual seria o primeiro passo?

Peter Senge – Desistir de “dar aulas”. Pensar em apenas 10% ensinando e 90% aprendendo. Há que se ter um pouco de treinamento, é claro; quando há uma ferramenta nova, por exemplo.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Andragogia nas Empresas

Por Luiz Roberto Fava

Fonte: http://www.ogerente.com.br/novo/colunas_ler.php?canal=16&canallocal=48&canalsub2=155&id=899


A Andragogia, como afirmamos anteriormente, é a ciência e a arte da educação de adultos, possuindo características básicas totalmente diferentes da Pedagogia.

Fundamentalmente, o ensino é baseado na troca de experiências entre dois adultos, o que educa (facilitador) e o que é educado (aprendiz), sendo que ambos se empenham na solução de problemas daquilo que realmente necessitam saber para aplicar no seu dia-a-dia.

Kelvin Miller afirma que os adultos retêm apenas 10% do que ouvem após 72 horas, mas são capazes de lembrar de 85% do que ouvem, vêem e fazem após as mesmas 72 horas. O ouvir e fazer são um procedimento fundamental na aprendizagem dos adultos, visto que irão compreender melhor sua utilidade no enfrentamento dos seus problemas.

Apenas por curiosidade, vejamos os resultados de uma pesquisa realizada com quase 2000 executivos de todo o mundo quando perguntados com que idade imaginava encerrar suas carreiras:

Antes dos 50 anos 2%
Entre 50 e 54 anos 7%
Entre 55 e 59 anos 19%
Entre 60 e 64 anos 28%
Entre 65 e 69 anos 29%
Além dos 70 anos 15%

Esta mesma pesquisa também mostrou que cerca de 62% dos entrevistados mudaram seus planos e hoje irão trabalhar por mais tempo do que pensavam há três anos.

Estes números indicam que um contingente cada vez maior de pessoas não pretende parar de trabalhar mais cedo. E, como o mundo corporativo é um mundo em constante transformação, pode-se inferir que, à medida que as pessoas envelhecem e continuam trabalhando por mais tempo, maiores as oportunidades para seguir aprendendo de forma constante e contínua.

O homem, por sua própria natureza, pode continuar aprendendo durante toda a sua vida. E este aprender contínuo é que irá produzir modificações, mesmo em plena velhice, de suas crenças, costumes, hábitos e opiniões. Por isso os adultos possuem mais “experiência de vida” do que os mais jovens, tanto em número, como em diversidade.

Pessoas mais velhas, ao formarem grupos, mostram uma heterogeneidade ímpar no que diz respeito aos seus conhecimentos, interesses, necessidades, etc. Para o ensino andragógico, esta é uma oportunidade única visto que este grupo torna-se uma fonte viva para consultas e trocas de experiências. E tudo isso pode e deve ser explorada pelos membros do grupo através de discussões, simulações, apresentação de casos, etc., ou seja, aprendizagem baseada em problemas específicos.

Portanto, o papel do professor (facilitador) é fundamental. Ele necessita mostrar aos alunos (aprendizes) a importância do assunto e abordá-lo de forma entusiasta. Deve mostrar que aquilo é importante e que fará diferença em suas vidas, mudando-a para melhor tanto nos seus aspectos pessoais como profissionais.

No ensino andragógico, outro fator fundamental é a motivação. Especialmente nas corporações, a motivação é estimulada por fatores externos, como premiações, perspectivas de promoções, etc. Mas, a motivação mais marcante e intensa advém de estímulos internos, pois o adulto aprendiz terá mais satisfação pelo trabalho realizado, terá elevada sua auto-estima e, sem dúvida, melhorará sua qualidade de vida.

Entretanto, existem fatores que podem dificultar, ou mesmo impedir, o aprendizado dos adultos. Disponibilidade de tempo, acesso à bibliotecas, laboratórios, serviços,internet, etc., podem se constituir em fatores limitantes desta aprendizagem. Portanto, empresas que puderem disponibilizar estes itens certamente estarão contribuindo de forma significativa para o sucesso de todo o processo.

Alguns princípios básicos

De acordo com Ari B. de Oliveira, a Andragogia possui alguns princípios básicos:

•Compartilhar experiências é fundamental para o adulto, tanto para reforçar suas crenças como para influenciar as atitudes dos outros;

•a relação educacional do adulto é baseada entre o facilitador e o aprendiz, onde ambos aprendem entre si, em clima de liberdade e pró-ação;

•O foco central é a aprendizagem, jamais o ensino;

•Aprender significa adquirir conhecimento, habilidade e atitude;

•O processo de aprendizagem se desenvolve na seguinte ordem: sensibilização (motivação), pesquisa (estudo), discussão (esclarecimento), experimentação (prática), conclusão (convergência) e compartilhamento (sedimentação).

•O diálogo é a essência do relacionamento: portanto, a comunicação só se efetiva através dele;

•Professor (facilitador) e aluno (aprendiz) compartilham o conhecimento de um com a experiência do outro. Fica difícil distinguir quem aprende mais, se o professor ou o aluno. O aprendizado andragógico é caminho de duas vias e não um caminho de mão única, como na Pedagogia;

•O professor necessita ter humildade suficiente para “descer do pedestal de sua cátedra” e se situar no mesmo plano de aprendizagem para, através do compartilhamento, se desenvolver junto com o aluno;

•O aluno (aprendiz) deve ter consciência que também necessita mudar seus valores e suas crenças (aprender a desaprender para reaprender) e ter mais flexibilidade para aumentar sua capacidade de aprendizado;

•O aluno (aprendiz) deve estar motivado para uma aprendizagem ao longo de toda a sua vida, tornando-se, com o passar dos anos, mais competente, seguro de suas habilidades e comprometido com a sociedade na qual vive e serve.

Administração em RH

Muitas corporações, através de seus departamentos de RH, já estão se dando conta que uma gestão baseada em um modelo andragógico traz vantagens como: substituição do controle burocrático e hierárquico, maior comprometimento, elevação da auto-estima e aumento da responsabilidade e capacidade de seus colaboradores (sozinhos ou em grupos) alcançarem as soluções de seus problemas para um melhor desempenho de suas atividades.

Com esta conduta, os funcionários são estimulados em reuniões periódicas onde são discutidos os problemas, buscadas suas causas, pesquisadas as possíveis soluções a serem implantadas ou implementadas e, finalmente, reavaliadas a posteriori em intervalos periódicos.

E, será neste clima, que as pessoas buscarão, em suas próprias experiências e em outras fontes, a construção de um novo conhecimento para a solução de seus problemas.

Confronto de gerações

Existe uma tendência atual das corporações em selecionar colaboradores mais jovens, os quais, por seu desempenho, poderão assumir posições de chefia até antes de completar trinta anos de idade.

Embora os números indiquem que 41% dos cargos executivos sejam formados por pessoas entre 46 e 55 anos, 7% deste contingente é representado por profissionais com idade entre 25 e 35 anos.

O que pode representar para estes jovens um salário maior e outro tipo de status também podem apresentar aspectos negativos no momento de liderar e de se relacionar com subordinados mais velhos. Por outro lado, pessoas mais velhas podem não se render a um chefe mais jovem, seja por preconceito, seja por rebeldia.

Neste tipo de situação, a pergunta é: como conviver de forma harmoniosa?

A resposta pode estar na Andragogia. Ou seja, o jovem, ousado e com novas idéias, seria o receptor das experiências dos mais velhos e estes, por sua vez, seriam os aprendizes do que de novo o mais jovem estaria trazendo para sua equipe.

“Um processo de ‘rejuvenescimento’ das corporações é, nos dias de hoje, algo palpável, visto que candidatos mais jovens irão produzir mais com um custo menor”, critica a Dra. Margarida Barreto. Já Beatriz Pinheiro acredita que “a mistura de idades é algo saudável e que o heterogêneo é mais rico”, enquanto a consultora Sofia Esteves do Amaral é de opinião que “a condução da equipe independe de quantos anos a pessoa tenha”.

O chefe, o líder, independentemente de sua idade deverá conquistar a confiança dos seus subordinados, procurarem conhecer cada um, manter diálogos constantes com todos os membros da equipe e, todos juntos, estabelecerem os planos de ação requeridos.

Se o chefe mais jovem assumiu na semana passada, nada mais justo que os mais velhos devam lhe dar ciência de tudo o que for necessário para o bom desempenho e crescimento de toda a equipe. Já o mais jovem enriquecerá a equipe com novas idéias e novos desafios que também deverão ser compartilhados em busca de soluções e onde todos, equipe e empresa, lucrem em conjunto.

Para que isto ocorra de forma harmônica, a assertividade, a flexibilidade e a resiliência deverão ser desenvolvidas tanto no jovem líder como nos liderados mais velhos.

Aprender uns com os outros passa a ser a palavra de ordem nestes casos, independentemente do cargo e da idade de cada um dos membros da equipe. E esta relação constituir-se-á em um exemplo vivo da Andragogia.

Para isso, tenhamos sempre em mente o ensinamento de Erasmo de Rotterdam, filósofo holandês que viveu entre 1466 e 1536 e que afirmou: “o amor recíproco entre quem aprende e quem ensina é o primeiro e mais importante degrau para se chegar ao conhecimento”.